Nostalgia não é privilégio de anciões. Nós, jovens, também temos. E por que não? Lembro como se fosse hoje das brincadeiras no colégio, na rua, do futebol de travinha e do horário certo para sair e entrar em casa. Sair a noite nem pensar. Era quase utópico. Só quando tinha festa ou alguma coisa muito especial. E brincar na rua durante a noite inteira sem ninguem nos imcomodar, partir vasos das visinhas, ramadas, vindimas, e até mesmo brincar aos power rangers. Não sei por quê. Devia ser porque não era comum.
Ser criança é viver sem precocupação e ter horário certo para tudo. Inclusive para assistir televisão. Que saudades! Tomar banho no final da tarde e logo depois merendar na frente da TV assistindo Cartoon, O recreio, Os Power Rangers, Timon e Pumba As Aventuras de Tin-Tin etc. E quando não tinha aula assistia, de manhã, desenhos animados. Só de lembrar dos meus programas favoritos na infância começo a interligar com fatos da minha vida, ora inesquecíveis, ora esquecíveis, ora engraçados, ora tristes, enfim, como a TV e seus produtos conseguem ser um ponto de referência na vida da gente.
E não só de TV vivia uma criança dos anos 1990. De videogame também. E para brincar neles a garotada tinha que pagar. A gente vivia alugando meia hora ou uma hora em estabelecimentos improvisados em residências. Era uma festa. Bastava cair cinquenta centavos na nossa mão que ele era imediamente trocado por meia hora, preciosa, de diversão. Game era artigo de luxo; Nintendo 64 e Playstation eram quase sagrados. A molecada os revereciavam e lenvantavam as mãos aos céus quando conseguiam manusear os controles desses videogames. Mas eu era mais ligado no Super Nintendo 32 bits, e assim como a maioria dos meus colegas, era viciado em Mortal Kombat, I, II, III e Ultimate. Explorava todos os tipos de golpes e tentava descobrir os fatalities, babalities, animalities e brutalities (por falta de paciência nunca consegui fazer um) dos personagens. Eu gostava muito do Bomberman e dava meu jeito de jogar. Mário World eu zerei de todos os jeitos, até de cabeça para baixo. Mário Kart, Mário All-Stars, Campeonato Brasileiro 96, 97 e 98, futebol internacional e ainda zerei Mário World 2: Yoshi’s Island, mais conhecido entre nós como “Mário bebê”; é claro, não podia faltar o Street Fighter - eu zerei com o Dhalsim (personagem conhecido como macumbeiro) só apelando naquela rasteira que ele dava Enfim, gastava horas a fio com o controle na mão.
Não podia esquecer da escola. Dos intervalos longos, mais de 30 minutos, como eramos felizes a correr atras de uma bola. Como eu ficava feliz quando era dia de pagamento de professores ou planejamento escolar; significava folga. Sair cedo era a maior alegria. “A professora fulana de tal faltou, portanto, podem ir para casa”, dizia a empregada. Todos comemorava como se fosse um golo na final do campeonato do mundo. “Silêncio crianças, senão eu não vos deixo ir”. Era o suficiente para que a gente se calasse.
São tantas recordações. Mas de uma coisa eu sei: a infância não pode ser resumida em linhas, palavras e parágrafos. Isso aqui é só uma poeira no universo infantil, tão vasto e tão rico. Naturalmente cresci, porém, faço questão de preservar um pouco do ser criança dentro de mim. Hoje estou mergulhando de cabeça no mundo adulto. Conquistei a tão almejada liberdade ao mesmo tempo que perdi, parcialmente, o prazer da infância. O que restou faço questão de guardar num lugar muito especial chamado lembrança.
domingo, 7 de junho de 2009
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